O aluno Rodrigo Viana Cabral, da Unisul, abordou como tema de seu TCC no curso de Medicina a questão da utilização da internet pelos pacientes, em consultas médicas. O TCC em questão nota algo que já se vem discutindo a algum tempo, que é a existência do novo paciente, o chamado paciente informado, ou paciente expert.
Segundo o aluno, “[c]omo na internet as informações chegam mais rápido para nós, muitas vezes elas não são viáveis, são incompletas, contraditórias e sem controle de qualidade. A vantagem é que nas consultas o paciente fica mais a vontade para questionar, e a comunicação entre médico e paciente fica mais fácil”.
Ou seja, de certo modo, pode-se perceber que a internet torna melhor a relação médico-paciente. Mas além disso, o Rodrigo diz também que “[c]omo na Medicina muitos termos técnicos são usados, a internet faz com que haja uma linguagem mais simples para o entendimento. Mas o paciente não pode achar que as informações obtidas são suficientes para se tratar sozinho. Deve repassá-las ao médico para que ele identifique quais são confiáveis e quais não”.
Nesse ponto, podemos ver que a qualidade da informação encontrada é questionada.
Em outro momento, a qualidade da informação encontrada também é questionada. Rodrigo afirma que “[m]etade dos pacientes chegam com alguma informação nas consultas. 56% dos médicos consideram que as informações ajudam e 50% ficam motivados em saber que o paciente quer se autoajudar. A importância dessa troca é a acessibilidade da comunicação. O alerta é a certa ingenuidade de algumas pessoas que acreditam em tudo que estão lendo, essas informações tem que ser apenas complementares”.
Penso que trabalhos deste tipo exibem alguns aspectos que não podem ser desconsiderados:
1 – A internet é importante para o paciente, e não pode ser desacreditada pelos profissionais de saúde que se sentem ameaçados por informações externas a seu consultório.
2 – O profissional de saúde deve tornar sua relação com o paciente mais humana ao analisar com o mesmo a informação encontrada, mostrando que muitas vezes ele, o profissional, desconhece de alguns assuntos, pois hoje é impossível alguém saber de tudo.
3 – O profissional de saúde deve ter, como certa obrigação ética, a responsabilidade de informar tanto os seus pacientes como outros pacientes, através de uma participação ativa na rede, criando blogs, sites, twitter, ou mesmo participando em redes sociais.
Creio que a participação dos profissionais de saúde na rede tem algumas funções éticas específicas: A primeira a de informar o leigo com informações mais qualificadas do que a de outro paciente leigo que conta na web sobre seu caso em particular; e a segunda a de criar um ambiente de saúde pública de profissionalismo e transparência, evitando o obscurantismo que muitos profissionais de qualidade duvidosa desejam.
Um excesso cometido que poderia ser evitado com mais diálogo é o caso da blogueira Cláudia Mello, que foi processada por contar em seu blog o que achou do tratamento recebido por um médico que ela pagou para prestar um serviço (de qualidade) para ela. Mas por conta disso, ela foi condenada a pagar ao médico uma indenização. O texto de sua postagem que causou a condenação pode ser lido no link acima.
Como diz uma advogada, no blog Trezentos, “vivemos em tempos estranhos“.
Mas eu não tenho dúvidas de que os caminhos corretos a se seguir já estejam traçados. E também não tenho dúvida de que quem não tem qualidade e profissionalismo suficiente já sabe disso e fará de tudo para impedir que este caminho seja traçado pelos bons profissionais.
Já ví profissional de saúde instigar a ignorância do paciente no orkut e no twitter, a todo custo.
Mas quem é bom com certeza prevalecerá. Pena que enquanto isso não ocorre, muitos pagarão caro por isso.




julho 15th, 2010 at 7:46 PM
estou precisando de conteudo para o meu tcc quero falar de parto normal onde encontro materia mim ajude estou formando em enfermagem
julho 16th, 2010 at 9:02 AM
Oi Jania, tudo bom?
Você pode (e deve) buscar material em fontes acadêmicas confiáveis. Então, você vai encontrar muuuuuita coisa sobre esse tema, como fonte confiável, nos seguintes sites:
* Scielo – http://www.scielo.br/
* PubMed – http://www.netmed.com.br/pubmed/
* Biblioteca Virtual em Saúde – http://regional.bvsalud.org/php/index.php
* Bibliomed – http://www.bibliomed.com.br/
* Banco de Teses USP – http://www.teses.usp.br/
* Google Acadêmico – http://scholar.google.com.br/schhp?hl=pt-BR
* Periódicos Capes – http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp
* MedLine – http://medlineplus.gov/
Abraços!
setembro 9th, 2010 at 3:39 PM
Estou fazendo uma especialização em Informatica e Saúde e não me identifiquei muito nem com o lado da medicina e nem com o lado da informatica como sou pedagoga gostaria de falar sobre a questão da ética desses novos profissionais da saude onde poderia encontrar material pois ja procurei e não encontro??
Abraços!
setembro 9th, 2010 at 6:29 PM
A questão da ética não é totalmente explícita para estes novos profissionais. Mas podemos encontrar um direcionamento.
Quais problemas éticos você enxerga na questão de informática em saúde, de modo geral?